05 dezembro 2010

Um sonho fúnebre


Enquanto das covas um sonho fúnebre que a luta vermelha brilha enquanto das faces desconhecidas escorre uma lágrima.....


O céu está azul e a floresta mágica ecoa gargalhadas...


posso ver o guardião do pote de ouro, um gnomo a ser capturado.... e tudo se dissipara...


Ao som da flauta da mãe serpente a verdade a cada um, o vento soprara novamente não espere a neblina passar...


que o dragão alado desenterre os ossos da senhora de toda a magia que um dia cessara com o grau de realidade.


E se tudo não passar de um reflexo e a rainha vermelha nunca existiu? E se estivermos no país dos espelhos, o que aconteceria se o sentido de realidade acabasse?
Insanidade mental?


De fato não sei, não sei se seria um estado niilista ou mesmo apatia apenas o nada....
e a isso inicia-se um grande conceito...

Sonia Alves





27 novembro 2010

Uma Barata Feliz

"É COMUM SE DIZER QUE AS BARATAS sobreviveriam a desastres nucleareas. Isso deveria ter sido levado  mais a sério. Não no sentido comumente explorado pelo cinema B, mas no sentido do profeta Kafka: a besta em nós não está em nosso passado, mas em nosso futuro. E o engano mais comum nessa matéria se dá pelo fato de que o aliado da condição de besta no humano é a sistematização da vida em busca da FELICIDADE PLENA.

Salvador Dalí. Mulher na Janela

Todo mundo já ouviu falar do livro Metamorfose de Kafka, o livro em que o personagem Gregor Samsa amanhece transformado num inseto e morre de depressão na janela. Aliás, janelas são lugares típicos onde morremos à espera de uma redenção que nunca chega. O próprio Kafka volta a essa imagem outras vezes em sua obra.
René Magritte.


Um dos trechos inesquecíveis é quando a jovem barata passeia pela parede do quarto....

Ela parte da formação de qualquer amante da literatura. E mais: o importante na leitura de um livro como esse é como ele faz você ver a barata no seu espelho. Em Kafka, a literaura se realiza quando você vê a barata refletida no espelho. Ao final, a barata Samsa morre de tristeza na janela.
Mas voltando às paredes do quarto. Muitas vezes, em horas de agonia, contemplamos as paredes e o teto de nosso quarto, mergulhados no silêncio da solidão.



No trecho em questão, a jovem barata caminha pelas paredes e pelo teto, deixando uma espécie de gosma marrom produzida por suas infinitas perninhas. Essa mesma gosma a faz capaz de andar de lado e de cabeça para baixo, coisa que, quando humano, Gregor não conseguia fazer. Aí já vemos um dos ganhos de Gregor em virar uma barata.
No mundo melhor que desprezo, as baratas teriam uma passeata anual e direito a direitos humanos porque uma delas foi capaz de se emocionar ao experimentar a nova forma de liberdade presente em suas perninhas e sua gosma marrom.

Suspeitava Kafka, não sem nenhuma razão, que o darwinismo falava de nosso futuro e não de nosso passado. Uma barata feliz pode ser uma opção."

Do livro "Contra um mundo melhor: ensaios do afeto" pag. 46 - de Luiz Felipe Pondé - Editora LeYa

17 novembro 2010

Recitais das coisas belas da vida...

Um dia me disseste que existe um lugar para cada homem
             Mas qualquer lugar que você queira fugir, será sempre igual...

Só mais um campo de batalhas....
O que definir?... o bem e o mal possuem a mesma face

O sangue escorre em tinta de caneta
Para assinarmos uma identidade numérica
Números decompostos....

                              
Esse animal chamado homem carrega consigo o estigma
Se é que exista a verdade... Porque temer em terminar?

Talvez tudo isso seja um belo jardim onde não conseguimos
Enxergar sua beleza

Em meio de uma ilusória guerra entre almas e matéria... caminhamos
Titulados de homens racionais e civilizados...


                             
"Pra não dizer que eu não falei das flores..."

Texto de Sonia Alves

Quando te disseram que existe um lugar para cada homem. Acredite...
Os lugares nunca são iguais, nem os olhares. O que podemos ver talvez seja algo íntimo, que somente nós que olhamos podemos sentir.
Sentir que a tinta de cor vermelha, pode mudar de cor, de cheiro, de sentidos...
O homem comum, talvez seja mais feliz, já que felicidade são momentos e este homem possui mais momentos de inSônia...
Mas buscar momentos felizes é obrigação de qualquer ser, que sente a necessidade de manter viva a esperaça de encontrar seu lugar, o lugar que lhe pertence.

 

30 outubro 2010

29ª Bienal de São Paulo

Michel Racine/Béatrice Saurel. Piquenique no Ibirapuera, 2010
" Todos devem deixar algo para trás quando morrem, dizia meu avô. Um filho, um livro, um quadro, uma casa ou parede construída, um par de sapatos. Ou um jardim. Algo que sua mão tenha tocado de algum modo, para que sua alma tenha para onde ir quando você morrer. E quando as pessoas olharem para aquela árvore ou aquela flor que você plantou, você estará ali.
Beatriz Milhares. Girassóis, 2010
Não importa o que você faça, dizia ele, desde que você transforme alguma coisa, do jeito que era antes de você tocá-la, em algo que é como você depois que suas mãos passaram por ela. A diferença entre o homem que apenas apara gramados e um verdadeiro jardineiro está no toque, dizia ele. O aparador de grama podia muito bem não ter estado ali; o jardineiro estará lá durante uma vida inteira.

Nuno Ramos. Bandeira Branca. 2010
Certa vez, há cinquenta anos, meu avô me mostrou alguns filmes sobre os foguetes V-2. Você já viu alguma vez o cogumelo de uma bomba atômica, de uma altitude de trezentos mil metros? É uma cabeça de alfinete, não é nada. Com a imensidão ao redor.

Meu avô passou o filme do foguete V-2 umas dez vezes, e depois manifestou a esperança de que, algum dia, nossas cidades fossem mais espalhadas, deixando mais espaço para o verde, a terra e o campo, para lembrar às pessoas que nos cabia um pequeno espaço na terra, e que sobrevivemos nessa vastidão que pode tomar de volta o que ela deu com a mesma facilidade com que sopra seu hálito sobre nós ou envia o mar para nos dizer que não somos tão grandes assim.

Quando nos esquecermos quanto a natureza está próxima na noite, dizia meu avô, algum dia ela vai entrar e nos pegar, pois teremos esquecido quão terrível e real ela pode ser. Percebe?

Lygia Pape. Língua Apunhalada, 1968 

Faz muitos anos que meu avô morreu, mas se você levantasse a tampa de meu crânio, por Deus, você encontraria, nas circunvoluções de meu cérebro, as marcas profundas de seus polegares. Ele me tocou.

José Resende. Homem ao Horizonte Longíquo. 1967
Como eu já disse, ele era escultor. "Odeio um romano chamado Status Quo!", disse-me ele. "Encha seus olhos de admiração", dizia ele, "viva como se fosse cair morto daqui a dez segundos. Veja o mundo.

Tatiana Trouvé. 300 pontos rumo ao infinito. 2009
Ele é mais fantástico do que qualquer sonho que se possa produzir nas fábricas. Não peça segurança, jamais houve semelhante animal.

Amélia Toledo. Campos de Cor. 1969/2010
E se houvesse, seria parente do grande bicho-preguiça pendurando de cabeça para baixo numa árvore o dia inteiro, todos os dias, a vida inteira dormindo. "Para o inferno com isso", dizia ele, "balance a árvore e derrube o grande bicho-preguiça de bunda no chão."

Hélio Oiticica, Seja Marginal, Seja Herói,1968.  Presta homenagem a Cara de Cavalo e a Mineirinho, dois bandidos violentamente mortos pela polícia do Rio de Janeiro, confrontando as ideias convencionais de justo e errado, de exercício legítimo de poder e abuso autoritário.


E a guerra começou e terminou naquele instante."


BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451, p.192, 193. Editora Globo - São Paulo, 7ª reimpressão, 2009

22 outubro 2010

"Fase Negra"

 
Pablo Picasso, Les demoiselles d'Avignon, 1907.
Óleo sobre tela, 243,9 x 233,7 cm. Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA.

  Consciente da vitalidade e da simplificação das formas, assim como das distorções expressivas, Picasso criou Les demoiselles d'Avignon - que repercutiu intensamente no cenário artístico - e classificou essa e outras obras subsequentes de "fase negra".

  Por volta de 1920, as galerias de arte de Paris encheram-se de esculturas, talhas, máscaras e outros objetos procedentes do continente africano, cuja história e estética eram até então pouco conhecidas pelos europeus. Essas obras vindas da África e dos mares do sul, portadoras da grande forças emotiva e criadora, só foram reconhecidas por artistas modernos no início do século XX.

 

Por causa do tráfico de escravos, a cultura africana das mais diversas tradições penetrou no Brasil e se misturou no grosso caldo da cultura brasileira.

  Com os modernistas, especialmente com os estudos e viagens de Mário de Andrade, nasceu a preocupação em valorizar nossas heranças culturais africanas, indígenas e as oriundas da arte popular, que resulta da mistura de todos esses povos.

  Em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, a necessidade de proteger o patrimônio histórico e artístico foi reconhecida, graças a Gustavo Capanema, então ministro da Educação e Saúde. Foi criado o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), a partir de um anteprojeto de lei de Mário de Andrade. Hoje, o órgão denominado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é responsável por proteger, tombar, fiscalizar, restaurar, identificar e preservar os bens culturais do País.

Caderno do professor: arte, ensino fundamental - 7ª série, volume 4/Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini - São Paulo: SEE, 2009
Rubem Valentim. Marco sincrético da cultura afro-brasileira, 1978-1979. Concreto armado, 820 x 260 x 60 cm. Praça da Sé, São Paulo, SP.
Rubem Valentim (Salvador BA 1922 - São Paulo SP 1991). Escultor, pintor, gravador, professor. Inicia-se nas artes visuais na década de 1940, como pintor autodidata. Entre 1946 e 1947 participa do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, com Mario Cravo Júnior (1923), Carlos Bastos (1925) e outros artistas. Em 1953 forma-se em jornalismo pela Universidade da Bahia e publica artigos sobre arte. Reside no Rio de Janeiro entre 1957 e 1963, onde se torna professor assistente de Carlos Cavalcanti no curso de história da arte, no Instituto de Belas Artes. Reside em Roma entre 1963 e 1966, com o prêmio viagem ao exterior, obtido no Salão Nacional de Arte Moderna - SNAM. Em 1966 participa do Festival Mundial de Artes Negras em Dacar, Senegal. Ao retornar ao Brasil, reside em Brasília e leciona pintura no Ateliê Livre do Instituto de Artes da Universidade de Brasília - UnB. Em 1972, faz um mural de mármore para o edifício-sede da Novacap em Brasília, considerado sua primeira obra pública. O crítico de arte Frederico Morais elabora em 1974 o audiovisual A Arte de Rubem Valentim. Em 1979, Valentim realiza escultura de concreto aparente, instalada na Praça da Sé, em São Paulo, definindo-a como o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira e, no mesmo ano e é designado, por uma comissão de críticos, para executar cinco medalhões de ouro, prata e bronze, para os quais recria símbolos afro-brasileiros para a Casa da Moeda do Brasil. Em 1998 o Museu de Arte da Moderna da Bahia - MAM/BA inaugura a Sala Especial Rubem Valentim no Parque de Esculturas.






10 outubro 2010

Tão perto Tão longe

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...



E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...


Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...


Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011
  Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/11/2011

"...Navegar é preciso
Viver não é preciso..."



 


 

07 setembro 2010

Pai! Afasta de mim este cálice




George Segal. The depression bread line, 1991. Memorial Franklin Roosevelt, Washington, DC.


Marepe, Cânone, 2006. Instalação. 27ª Bienal Internacional de São Paulo


Cálice, com Chico Buarque e Milton Nascimento
composição: Chico Buarque/Gilberto Gil
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

15 agosto 2010

Cuidado, cuidado, Deus está vendo


Hieronymus Bosch. Mesa dos pecados capitais



O buraco do espelho
(Edgard Scandurra/Arnaldo Antunes)

O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve



já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora









O olhar pensa?
O olhar é a visão transformada em interrogação?
O que pode um sensível olhar-pensante problematizar?





"...For the first time in history
It's gonna start raining men
It's raining men
Hallelujah it's raining men, Amen..."



"... Pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor, pergunte
Se ele construiu nas trevas o esplendor
SE tudo foi criado:
O macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o criador
E se o criador inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor

Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento
Terra e Céu, estrelas percorrendo firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao criador
Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel..."

24 julho 2010

23 maio 2010

Vita detestabilis

Ó Fortuna,
variável como a Lua,
sempre cresces e decresces!



Vida detestável,
ora maltratas,
ora exaltas.



Como o Sol derrete o gelo,
assim dissolves a miséria e o poder.



Roda da sorte,
monstruosa giras,
insensível,
má e volúvel.



Velada me persegues,
me atormentas,
e por tua causa tudo perco,
A saúde inclusive, e a Vida.


Nesta hora, sem mais demora,
lamentemos juntos
O destino que esmaga o bravo
O Fortuna,
velut Luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvir ut glaciem.

24 abril 2010

Alguma coisa acontece


" Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto

Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto

É que Narciso acha feio o que não é espelho


E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho

Nada do que era antes quando somos Mutantes "

01 abril 2010

Lygia


"Nós somos os propositores: nós somos o molde, cabe a você soprar dentro dele o sentido da nossa existência.


Nós somos os propositores: nossa proposição é o diálogo.
Sós, não existimos. Estamos à sua mercê.

Nós somos os propositores: enterramos a obra de arte como tal e chamamos você para que o pensamento viva através de sua ação.


Nós somos os propositores: não lhe propomos nem o passado,
nem o futuro, mas o agora. "