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18 março 2012

Existe amor em SP?

Lilian Higa
Jean Michel Basquiat

Lilian Higa

Esperando amor no matadouro






Bois no matadouro, galinhas engaioladas para o abate, sou solidária a dor de vocês porque  sou como vocês,




Lilian Higa

também sou impedida de manifestar meu comportamento natural, por isso nossa neurose canibalística, nossa apatia, nosso alto nível de estresse.

Lilian Higa

Nós que somos impedidas de ciscar, abrir as asas e alçar pequenos voos, não podemos ser nós mesmas, será que se um dia saírmos daqui nos lembraremos de quem nós somos?
Vilma Araújo




05 dezembro 2010

Um sonho fúnebre


Enquanto das covas um sonho fúnebre que a luta vermelha brilha enquanto das faces desconhecidas escorre uma lágrima.....


O céu está azul e a floresta mágica ecoa gargalhadas...


posso ver o guardião do pote de ouro, um gnomo a ser capturado.... e tudo se dissipara...


Ao som da flauta da mãe serpente a verdade a cada um, o vento soprara novamente não espere a neblina passar...


que o dragão alado desenterre os ossos da senhora de toda a magia que um dia cessara com o grau de realidade.


E se tudo não passar de um reflexo e a rainha vermelha nunca existiu? E se estivermos no país dos espelhos, o que aconteceria se o sentido de realidade acabasse?
Insanidade mental?


De fato não sei, não sei se seria um estado niilista ou mesmo apatia apenas o nada....
e a isso inicia-se um grande conceito...

Sonia Alves





30 outubro 2010

29ª Bienal de São Paulo

Michel Racine/Béatrice Saurel. Piquenique no Ibirapuera, 2010
" Todos devem deixar algo para trás quando morrem, dizia meu avô. Um filho, um livro, um quadro, uma casa ou parede construída, um par de sapatos. Ou um jardim. Algo que sua mão tenha tocado de algum modo, para que sua alma tenha para onde ir quando você morrer. E quando as pessoas olharem para aquela árvore ou aquela flor que você plantou, você estará ali.
Beatriz Milhares. Girassóis, 2010
Não importa o que você faça, dizia ele, desde que você transforme alguma coisa, do jeito que era antes de você tocá-la, em algo que é como você depois que suas mãos passaram por ela. A diferença entre o homem que apenas apara gramados e um verdadeiro jardineiro está no toque, dizia ele. O aparador de grama podia muito bem não ter estado ali; o jardineiro estará lá durante uma vida inteira.

Nuno Ramos. Bandeira Branca. 2010
Certa vez, há cinquenta anos, meu avô me mostrou alguns filmes sobre os foguetes V-2. Você já viu alguma vez o cogumelo de uma bomba atômica, de uma altitude de trezentos mil metros? É uma cabeça de alfinete, não é nada. Com a imensidão ao redor.

Meu avô passou o filme do foguete V-2 umas dez vezes, e depois manifestou a esperança de que, algum dia, nossas cidades fossem mais espalhadas, deixando mais espaço para o verde, a terra e o campo, para lembrar às pessoas que nos cabia um pequeno espaço na terra, e que sobrevivemos nessa vastidão que pode tomar de volta o que ela deu com a mesma facilidade com que sopra seu hálito sobre nós ou envia o mar para nos dizer que não somos tão grandes assim.

Quando nos esquecermos quanto a natureza está próxima na noite, dizia meu avô, algum dia ela vai entrar e nos pegar, pois teremos esquecido quão terrível e real ela pode ser. Percebe?

Lygia Pape. Língua Apunhalada, 1968 

Faz muitos anos que meu avô morreu, mas se você levantasse a tampa de meu crânio, por Deus, você encontraria, nas circunvoluções de meu cérebro, as marcas profundas de seus polegares. Ele me tocou.

José Resende. Homem ao Horizonte Longíquo. 1967
Como eu já disse, ele era escultor. "Odeio um romano chamado Status Quo!", disse-me ele. "Encha seus olhos de admiração", dizia ele, "viva como se fosse cair morto daqui a dez segundos. Veja o mundo.

Tatiana Trouvé. 300 pontos rumo ao infinito. 2009
Ele é mais fantástico do que qualquer sonho que se possa produzir nas fábricas. Não peça segurança, jamais houve semelhante animal.

Amélia Toledo. Campos de Cor. 1969/2010
E se houvesse, seria parente do grande bicho-preguiça pendurando de cabeça para baixo numa árvore o dia inteiro, todos os dias, a vida inteira dormindo. "Para o inferno com isso", dizia ele, "balance a árvore e derrube o grande bicho-preguiça de bunda no chão."

Hélio Oiticica, Seja Marginal, Seja Herói,1968.  Presta homenagem a Cara de Cavalo e a Mineirinho, dois bandidos violentamente mortos pela polícia do Rio de Janeiro, confrontando as ideias convencionais de justo e errado, de exercício legítimo de poder e abuso autoritário.


E a guerra começou e terminou naquele instante."


BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451, p.192, 193. Editora Globo - São Paulo, 7ª reimpressão, 2009

10 outubro 2010

Tão perto Tão longe

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...



E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...


Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.



Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...


Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/01/2011
  Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Fernando Pessoa, plural como o universo
Museu da Língua Portuguesa - 24/08/2010 a 30/11/2011

"...Navegar é preciso
Viver não é preciso..."



 


 

23 maio 2010

Vita detestabilis

Ó Fortuna,
variável como a Lua,
sempre cresces e decresces!



Vida detestável,
ora maltratas,
ora exaltas.



Como o Sol derrete o gelo,
assim dissolves a miséria e o poder.



Roda da sorte,
monstruosa giras,
insensível,
má e volúvel.



Velada me persegues,
me atormentas,
e por tua causa tudo perco,
A saúde inclusive, e a Vida.


Nesta hora, sem mais demora,
lamentemos juntos
O destino que esmaga o bravo
O Fortuna,
velut Luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvir ut glaciem.

24 abril 2010

Alguma coisa acontece


" Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto

Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto

É que Narciso acha feio o que não é espelho


E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho

Nada do que era antes quando somos Mutantes "

22 agosto 2009

Ópera Urbana


Ópera Urbana é uma coleção de livros das edições SESC e da editora Cossac Naify, composta por quatro volumes: Cidade dos deitados, Surfando na Marquise, Avenida Paulista e Montanha Russa. A coleção trata do quotidiano da vida urbana e, para divulgá-la, as editoras lançaram um site interativo aberto a todos os públicos.


Para participar acesse o site http://www.operaurbana.com.br/ e procure no link Escolas as tarefas propostas no nome do professor José César Bardelli. Antes de publicar no site, farei um filtro com as melhores tarefas adequadas ao tema. Portanto, não envie diretamente para o site, envie para mim sua foto, texto ou vídeo. A participação valerá nota na disciplina de Arte no 3º bimestre. Escolha apenas uma dentre as tarefas propostas.


Fotos Gislene Bosnich Estação da Luz

Você verá que, apesar de interessante, o conteúdo dos livros é um tanto elitista, pois, as histórias se concentram no Ipirapuera, Av Paulista, Vila Mariana e Centro de São Paulo. Isto também se percebe pela entrevista dos autores. Não estou dizendo que você precisa abordar a periferia, mas que não é necessário se prender ao conteúdo dos livros. Seja criativo, leia bem a proposta e todo o conteúdo do site antes. A tarefa está relacionada com o conteúdo programático, em particular, o estudo do espaço, as intervenções artísticas, artes visuais e novas tecnologias.

Coleção Ópera Urbana